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Organização e confiança no São Paulo contra o rebaixamento

O senso comum nos diz que uma equipe perde porque não teve atitude ou vontade. Ou nos últimos anos, com um novo olhar sob o jogo, uma equipe que é um time desorganizado. O São Paulo de 2017, com apenas 19 pontos de 57 possíveis e amargando a zona de rebaixamento, é bom exemplo de que essas duas visões na verdade se complementam.

Basta ver que, com Dorival Jr, não falta organização e senso coletivo ao Tricolor. A ideia de jogo está lá e já é executada e assimilada pelos atletas. As atuações nos últimos 7 jogos ou alguns jogos de Ceni mostram um São Paulo dominante, controlador e certo do que faz.

Dorival opta por encaixar Petros, Jucilei e Hernanes num 4-1-4-1, estimulando Cueva e Marcinho a flutuarem na construção das jogadas. Ao saírem dos lados e procurarem a bola por dentro, o São Paulo cria superioridade numérica nessa região do campo – deixando os lados aos laterais e também apostando no trabalho de pivô de Pratto. A procura pela mobilidade, pelas triangulações e pela infiltração aproveitando um passe mais vertical de Cueva ou Hernanes é um resumo do São Paulo ao atacar.

Ao defender, sincronia. A linha de defesa, com Dorival, passou a ficar mais organizada e a “correr junto”, muitas vezes saindo dessa organização apenas quando um lateral vai agredir a bola no lado do campo. Em suma, o São Paulo busca encurtar o campo e fechar bem a região central.

Ok. Então não falta organização. O que falta para o São Paulo reagir?

Algo fundamental e que nunca pode ser esquecido quando falamos de futebol – ou de qualquer atividade na sociedade que envolva pessoas: confiança. São vários sinônimos para ela: certeza, força, convicção, firmeza…basicamente, damos ao nome de confiança tudo o que parece subjetivo e faz pessoas acreditarem numa linha de trabalho, num grupo ou a simplesmente terem força – física e mental – para buscar um objetivo em comum.

No futebol, a confiança tem relação direta com o gesto técnico e o número de acertos ou de erros de um jogador. Um exemplo: se o São Paulo busca ter mobilidade e triangulação, o que falta é que, nessa triangulação, quem dá o passe acredite que o companheiro vai alcançar. E que o companheiro saiba o momento de correr no espaço para receber o passe. Isso só acontece quando o atleta acredita em si, no colega, na equipe e no momento.

O oposto da confiança é o medo. Quando ela falta, o jogador não se arrisca a dar esse passe ou fazer o movimento da infiltração por medo de errar. Não é atitude, nem os milhões que ele recebe justificam. É da índole humana se preservar em situações estressantes como um jogo de futebol. Tudo funciona como uma espiral: um problema e uma derrota mina a confiança. O jogador vai, passa a semana treinando, faz tudo certo, chega no jogo e…derrota. É um artifício mental fácil para perder a paciência, preservar a auto-estima e desistir de qualquer situação – seja de chegar numa bola, seja de fazer os movimentos da triangulação, como descrito acima. Confiança é um processo que só se conquista com atitude positiva e vitórias.

Se não falta organização, só a confiança pode fazer o São Paulo voltar a pontuar para afastar um fantasma inédito, que cada vez mais próximo. Time grande cai sim. A reação e a volta do acreditar precisam ser imediatos para evitar um desastre maior.

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