CURIOSIDADES

A bola branca é nossa

Joaquim Simão Gomes: guarde esse nome. ‘Seo’ Joaquim, funcionário do São Paulo desde os tempos da Floresta, se intitulava inventor da bola branca.

Antigamente, no tempo das bolas de capotão, de couro, ela era marrom, fosca.

A invenção teria nascido ao acaso. De tanto correr atrás de bolas perdidas no mato da Floresta e nunca as encontrar, resolveu experimentar pintá-las com tinta branca, dessas comuns mesmo, para facilitar sua visualização. Segundo ele, o povo achou estranho no início, mas a ideia logo se popularizou – principalmente com a expansão das partidas noturnas, exatamente ali, no Campo da Floresta, então recentemente iluminado.

 

 

Ceguinho? Sei…

Nos anos 40, lá no Canindé, havia no São Paulo um rapaz cego chamado Ramón. Sua deficiência nunca o impediu de realizar nada no clube. Muitos chegavam até mesmo a brincar, dizendo que ele nem era cego de verdade.Nem tanto pelo fato de andar pela cidade toda sozinho, somente com sua bengala, ou por reconhecer as pessoas à distância, pelo mínimo som de suas vozes. Mas, principalmente, por Ramón ser o massagista do departamento feminino.

– “Ramón, Ramón, de cego você não tem nada…”

 

 

Dá a pata, Minelli!

Dentro de campo, Chicão sempre foi um “leão”. Fora, uma pessoa afável e amiga, atributos que levaram, em 1977, o técnico recém-contratado Rubens Minelli a dar-lhe a braçadeira de capitão da equipe. Minelli, perfeccionista como sempre, gritava:

– Chicão, vai para lá!

– Chicão, fica na posição!

– Chicão, corre!

– Chicão, marca!

Na época, Chicão ganhou um cachorro da raça Fila, que seria tão destemido quanto seu dono. Então, o nosso volante pensou num modo de brincar, “homenageando” o técnico. Colocou no cachorro o nome de Minelli. Dai em diante, era só:

– Minelli, senta!

– Minelli, levanta!

– Minelli, corre!

– Minelli, vem cá…

 

É o São Paulo mesmo? Não…

Parece o São Paulo, mas não é. Por algumas vezes outras equipes utilizaram a camisa oficial do São Paulo FC em seus jogos. Em 1949, na semifinal do Torneio Início do Campeonato Paulista, o XV de Piracicaba, alvinegro, enfrentaria o Ypiranga, também preto e branco. O jeito foi o XV atuar com a camisa branca do SPFC. Deram sorte, venceram, e na final bateram o próprio Tricolor.

Pelo Campeonato Brasileiro de Seleções, em 26 de fevereiro de 1950, no Parque Antárctica, a Seleção Gaúcha entrou em campo com o manto são-paulino (a camisa nº 2) para enfrentar a Seleção Bahiana. Como era de se esperar, com aquela camisa não perderam. Venceram o jogo por 2 a 1. No próximo jogo – semifinal, já sem a camisa tricolor, perderam para a Seleção Paulista (por sinal, também tricolor).

Um outro causo mais antigo, que remonta a 1930, é ainda mais curioso. O Hakoah All-Stars, time de colônia judaica, dos Estados Unidos, excursionava no Brasil. Em 3 de julho enfrentou o combinado formado por São Paulo e Palestra Itália. O combinado atuou de branco – uniforme inteiramente branco, para não ser associado nem ao São Paulo, nem ao Palestra. O Hakoah, por outro lado, entrou em campo com a camisa nº 1 do São Paulo. Quem chegasse à Chácara da Floresta para torcer pelos brasileiros desavisado, corria o risco de torcer para o time errado… O placar do jogo? Aquele com a camisa do São Paulo não perdeu, oras. 3 a 2 em cima dos brasileiros.

 

Friedenreich, herói do futebol nacional, morre na Guerra

Este foi o tema das manchetes divulgadas em rádios e jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Friedenreich, o maior jogador brasileiro de seu tempo e atleta tricolor, pegou em armas e foi defender o Estado de São Paulo naquela guerra – que já havia mobilizado também os clubes, que doaram inúmeras taças, de ouro ou prata, para arrecadar fundos para o movimento.

Talvez para desestabilizar o emocional paulista com tamanha tragédia, a rádio oficial carioca PRAX anunciou a morte do craque, que não teria resistido aos ferimentos de combate depois de levado ao hospital. A notícia ganhou o mundo, até Argentina e Portugal repercutiram a triste situação. Reportaram também, inclusive, a morte de Rubens Salles, do mesmo modo.

Tudo não passou de ‘boato’. A falsa notícia foi em breve desmascarada: ambos estavam a salvo. Friedenreich ganharia as manchetes dos jornais novamente em outubro de 1932, após a vitória do São Paulo por 4 a 0 sobre o Sírio, quando todos estamparam: “Ressurreição”

 

O primeiro campeão profissional

Iniciado em 1933, o futebol profissional no Brasil teria, naquele ano, seu primeiro campeão. E ele não foi o Palestra, vencedor do certame paulista daquele ano, nem o Bangu, campeão carioca. Foi o São Paulo Futebol Clube. Na verdade, o segundo quadro do São Paulo.

O time formado por Moreno e Joãozinho, goleiros; Junqueirinha, Lio, Milton, Lysandro, Álvaro, Ermetto, Pinheiro, Agostinho, Celeste, Ferreira, Patrício e Berti (também José, Sasso, Raffa, Vicente e Hércules) foi o Campeão Paulista de Segundos Quadros, o popular ‘aspirante’ – também profissional -, em 1 de outubro. Detalhe: Invicto, e com duas rodadas de antecipação. Ao final, 14 jogos, 12 vitórias e 2 empates. 66 gols marcados, 22 sofridos.

 

 


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O primeiro gol de goleiro

Não foi de Rogério Ceni. O maior goleiro artilheiro da história, Rogério marcou seu primeiro gol pelo São Paulo em 15 de fevereiro de 1997, em cobrança de falta no goleiro Adinam, do União São João.

Pois bem, um ano e meio antes, em 15 de julho de 1995, um jovem goleiro chamado Moscatto (José Augusto Buoro Moscatto, 11/11/1972, São Paulo-SP), em cobrança de pênalti contra Ângelo, do Uberlândia, no segundo tempo da partida válida pelo Torneio Rei Dadá, marcou o segundo gol do time, dando a vitória ao Tricolor e anotando o primeiro gol de goleiro da história do São Paulo FC.

Era uma partida do Expressinho, mas ainda assim uma partida oficial do clube. Moscatto nunca mais viria a marcar nenhum gol com a camisa do São Paulo, tendo, na verdade, realizado somente duas partidas oficiais. Seu último contrato profissional foi com o XV de Piracicaba, em 2007.

 

Taça mais antiga que o próprio clube

Dentre as inúmeras taças do SPFC, a mais antiga não foi conquistada pelo clube, seja antes ou após a refundação de 1935.

Ela é de 1910, de um time varzeano chamado São Paulo Football Club, que tentou entrar na Liga e foi vencido, logo deixando de existir. Uma de suas taças, porém, foi doada ao atual São Paulo FC.

Embora seu registro conste no jornal A GAZETA de 9 de outubro de 1943, seu paradeiro é mais do que desconhecido. Quase uma lenda.

 

 

Tira o bode ou deixa o bode?

Acreditem ou não, mas ‘Tira o bode’ e ‘Deixa o bode’ já foram nomes de duas facções políticas do São Paulo. Tudo por causa de Augusto, o bode. Augusto viveu na época do Canindé, chegando por lá em meados de 1948. Sorrateiro, foi se fixando. Mais ou menos um ano depois, o clube começou uma reforma geral, destinando uma área para jardinagem e plantação de eucaliptos. Só se esqueceram de combinar com o bode, que comeu todas as mudas.

Logo o problema estava criado e o clube dividido entre aqueles que se incomodavam com tamanho bode, e outros que não se importavam com o animal. Na base da votação ficou decidido então que Augusto poderia ficar. Assim, sentindo-se em casa, ele aproveitou. Com tantos mimos, passou a ficar mais ousado e adquirir vícios. Às vezes, em dias de treinos, furtava maços de cigarros dos bolsos dos torcedores distraídos e os devorava.

Sua liberdade era tanta que vez ou outra dava umas escapulidas pelas ruas do bairro e, boêmio, só voltava tarde da noite – isso quando voltava. Quando a demora preocupava, o São Paulo enviava um esquadrão de resgate, chamado de ‘time da perua’. Comandado pelo motorista Ambrósio, lá iam atrás do bode, em uma perua Studebacker – aliás, o único carro que o clube possuía então -, para trazê-lo de volta à sua casa.

Em uma trágica noite de fins de 1955, ou 56, porém, ele não regressou. Havia sido atacado e morto por um banco de cães vadios. Até hoje, imagina-se, no Canindé jaz o bode Augusto, em paz.

 

Vai cair em pé!

Em 1943, para saber quem seria o campeão era só jogar na moeda. Se desse cara, o Palmeiras levaria. Coroa, o Corinthians conquistaria a taça.
O “ditado” era repetido pelos dirigentes de ambos os times já havia alguns anos. Cansado, Frederico Menzen, presidente do Tricolor, retrucou:

– “E o São Paulo?”
– “Só se a moeda cair em pé”, ironizavam abertamente.

Ao fim do campeonato, porém, que coisa! A moeda caiu em pé.
Em comemoração, a torcida são-paulina desfilou pelas ruas da cidade com um carro que trazia no alto a mítica moeda.