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Aidar ataca Ceni, chama Osorio de ‘marqueteiro’ e promete vingança

Exatamente dois meses após renunciar à presidência do São Paulo, Carlos Miguel Aidar voltou a ter contato com a imprensa. E, em entrevista polêmica ao jornal “Diário de S. Paulo”, o advogado mostrou postura ofensiva: atacou o ídolo Rogério Ceni, chamou Juan Carlos Osorio de “marqueteiro” e prometeu se vingar de todos que trabalharam por sua saída do Tricolor em 13 de outubro.

Aidar diz que não tem nenhuma pretensão de voltar a exercer qualquer cargo no clube e que, se voltasse no tempo, nunca teria aceitado o convite de Juvenal Juvêncio (morto na última quarta-feira vítima de um câncer na próstata) para concorrer nas eleições de 2014. Ainda assim, diz estar arrependido da renúncia, que abriu novo pleito são-paulino em 27 de outubro e conduziu Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, à presidência.

– Eu não devia ter renunciado. Me arrependo disso. E só o fiz porque várias pessoas próximas sugeriram. Minha renúncia pode parecer a alguns que foi um “quem cala consente”. Devia ter ficado, nomeado a diretoria com gente da oposição e me licenciado. Deixaria os caras investigando tudo e, se achassem um fio, eu renunciaria. Se não, voltaria soberano – declarou Aidar, que seguiu:

– Foi um erro voltar ao São Paulo. Em 2014, eu estava numa zona de conforto, ganhava sem nem ir ao escritório. Não é fácil ficar ouvindo falarem mal da minha filha, da minha mulher. Me chamando de corno, viado, ladrão… Eu estava indo à padaria quando um cara num carro passou e gritou: “Aidar ladrão, filho da p…” Tive de sair do escritório de advocacia que eu criei (Aidar SBZ), porque três clientes importantes decidiram ir embora. Agora posso abrir um escritório novo ou me associar a escritórios – contou.

Na rotina de Aidar após a renúncia, está a busca por provas contra aqueles que considera responsáveis por sua saída do clube. Ele admite que tirou cópias de dezenas de contratos antes de deixar o Morumbi e promete derrubar os inimigos políticos. Segundo o ex-presidente, todos os ataques que sofreu foram causados pelo medo de Leco e outros cartolas da Era Juvenal.

– Nos últimos três meses da Era Juvenal Juvêncio, o São Paulo pagou R$ 9,5 milhões ao Tombense, clube que é barriga de aluguel do Eduardo Uram. O mais curioso é que o Uram já foi cliente do escritório de advocacia do Gustavo Oliveira (diretor executivo de futebol), do Francisco Manssur (vice-presidente de comunicação e marketing)… Todo mundo sabia que eu mexia nisso. E estava incomodando muita gente – explicou o advogado.

Aidar ainda voltou a dizer que o empresário Abílio Diniz interferia na escalação do time por meio do coordenador técnico Milton Cruz. O ex-presidente agora brada que deveria ter demitido o profissional no início do ano junto com outros membros do departamento de futebol e o vice da pasta, Ataíde Gil Guerreiro. No primeiro semestre, quando tal intenção foi revelada pela imprensa, Aidar e seus pares atacaram jornalistas e negaram o plano com veemência.

– O (zagueiro) Luiz Eduardo, por exemplo, quem descobriu com olhos clínicos foi o Milton Cruz. E quem fez o agenciamento? O filho do Milton. Eu deveria ter mandado embora o Milton, o Ataíde e mais um monte de gente do futebol no começo do ano – respondeu, em pergunta subsequente às explicações pedidas pelo “Diário” sobre a contratação do zagueiro Iago Maidana.

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NO FUTEBOL
O ataque de Aidar, desta vez, chegou até ao elenco do São Paulo. O ex-presidente disse que foi normal gastar R$ 15 milhões em Alan Kardec no ano passado mesmo sabendo da situação financeira do clube. Para ele, o problema da contratação esteve no fato de que Luis Fabiano não aceitaria concorrência. Sobrou ainda para Rodrigo Caio, que foi considerado culpado por Aidar pelo fracasso na venda ao Valencia (ESP) por ter “afinado” – a outra versão da história fala em contrato ruim para o atleta de 22 anos. E até Rogério Ceni, maior ídolo da história do Tricolor, foi alvo do advogado.

– Está no meu currículo que fui eu quem assinou os dois últimos contratos do Rogério Ceni. Ele é uma entidade no São Paulo. É do tipo: ame-o ou odeie-o. Ou você joga o jogo dele ou está fora do jogo. Eu já achava que estava na hora de abrir espaço para outro goleiro no ano passado, mas houve uma baita pressão e ele ficou até agora. Assim como o Juvenal Juvêncio não preparou um sucessor, porque achou que seria eterno, o Rogério não deixava que surgissem líderes. Um exemplo era o Dória, que batia de frente com ele. O Rogério também não gosta do Pato pelo fato de ele ganhar muito. O Rogério marginaliza essas lideranças – disparou.

Vale ressaltar que o salário de Ceni era estimado entre R$ 600 mil e R$ 700 mil, mais do que os R$ 400 mil recebidos por Pato (o Corinthians paga mais R$ 400 mil). Além disso, o Mito faz, desde o segundo semestre do ano passado, um rodízio de capitães no elenco e Pato foi um dos mais contemplados com a medida. Para fechar os ataques a ícones do São Paulo com a torcida, Aidar novamente criticou os métodos e a postura de Osorio, com quem brigou antes da saída do técnico para a seleção mexicana.

– Não sei como ele ganhou o respeito incrível da imprensa e da opinião pública. Era um marqueteiro danado. Não repetiu o time uma vez em 22 partidas (foram 28, e apenas Doriva, em uma ocasião, fez o Tricolor repetir o time na temporada). Isso não é coisa de treinador, mas de alguém achando que o São Paulo é laboratório. Eu sabia que ele fazia rodízio, mas não sabia que punha goleiro de centroavante, lateral no meio. Se soubesse, não o traria – concluiu.

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